LEITURAS SOBRE COMPORTAMENTO E AÇÃO: #05 - MARCAR x CONTAR



Quantas caixinhas você acha que precisa marcar pra provar que fez a sua parte — e será que, de todas elas, só uma realmente conta?

Vai um dia desses: bater o ponto, responder e-mail, entregar relatório, fechar a meta do mês, postar alguma coisa engajada nas redes sobre uma causa importante, marcar presença naquele evento de networking, terminar o curso que só falta o certificado... enfim.

Tem gente que empilha certificado atrás de certificado, presença atrás de presença, declaração pública atrás de declaração pública — um verdadeiro currículo de intenções, com direito a badge de LinkedIn, foto de evento e discurso emocionado sobre "propósito" — e, na hora exata em que alguém precisou de fato de alguma coisa, não fez nada. E tem gente sem nenhuma dessas credenciais — sem badge, sem discurso, sem currículo de boas intenções — que, naquele momento único, resolveu.

É a mesma lógica de um trabalho acadêmico que cumpre à risca todos os itens do quesito de avaliação — formatação correta, número certo de páginas, referência bibliográfica em dia — e, mesmo assim, não diz absolutamente nada de novo; enquanto outro, ‘capenga’ na forma, sem seguir metade das normas, é o único que realmente resolve o problema que a disciplina se propôs a discutir.

Ora, cabe aqui então uma reflexão: quantas caixinhas você já marcou hoje — e quantas delas, sinceramente, contaram pra alguém além de você mesmo?

Porque, convenhamos — MARCAR e CONTAR nem sempre são a mesma coisa. Dá pra MARCAR toda caixinha da lista e, ainda assim, não CONTAR nada pra ninguém. E dá pra não ter marcado nenhuma — nenhum certificado, nenhuma declaração pública, nenhum selo de aprovação — e, mesmo assim, ser exatamente aquilo que CONTOU. Não que MARCAR seja inútil, nem que só valha quem abre mão de tudo — a questão é que MARCAR sozinho nunca basta, e CONTAR, quando acontece, já basta sozinho.

No fim das contas, o que você fez hoje que realmente CONTOU?

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