A gente cresce ouvindo que os 'melhores comportamentos' –
aquelas pessoas que são grandes de verdade - são aquelas que agem de forma
socialmente claras e definidas como tal. Ou seja, investimento bom é aquele que
você sabe nomear certinho — cursou a faculdade certa, fez o networking certo,
seguiu o passo a passo, decorou o discurso, apresentou o diploma na hora exata,
disse a palavra que os outros esperavam ouvir... enfim.
E no dia a dia isso se repete o tempo todo: no trabalho, é
quem sabe apresentar o relatório bonito; na família, é quem sabe dizer a frase
certa na hora certa; na saúde, é quem posta a rotina de treino; nos estudos, é
quem tira nota alta sem necessariamente reter nada; nas redes, é quem sabe
narrar bem o próprio esforço.
Imagina uma banca de avaliação, dessas de resultado no
papel, com gente respeitada socialmente, de currículo robusto sentada esperando
a nota — cada um carregando o comprovante formal do que aprendeu, do que
sentiu, de como se expressou, do que seguiu, do que cumpriu direitinho. E do
lado, alguém que nunca conseguiu nem terminar de estudar o "conteúdo
oficial", que se atrapalha até pra explicar bem as ações e comportamentos
que empreendeu, apenas fez! Ou seja, alguém que não sabe explicar, repetir e
até mesmo compreender a doutrina ou filosofia do jeito socialmente esperado.
Será que essa mesma pessoa, na prática, foi quem mais absorveu e mais devolveu
o que aprendeu da vida? Agora vamos imaginar se a banca não pergunta qual a
resposta mais adequada socialmente, mas sim, quais os comportamentos e ações
empreendidas durante a vida e julga quais delas têm maior alinhamento com os
conteúdos. Aproveitando a analogia do investimento x retorno: "o que
sobrou de você depois de gasto".
É tipo aquele aluno que não tira a nota mais alta da prova —
às vezes nem sabe explicar a matéria do jeito acadêmico — mas é o único que, um
ano depois, ainda usa o que aprendeu pra resolver problema de verdade, enquanto
o que tirou dez já esqueceu tudo assim que saiu da sala. O exame que dá mais
bônus não é o que tem mais gabarito certo. É o exame de quem mais evoluiu com o
que teve.
Ora, cabe aqui então uma reflexão: será que a ignorância do
que é socialmente esperado — o roteiro, a etiqueta, o "jeito certo de
fazer" — chega a ser, de fato, motivo suficiente pra alguém não ter feito
o melhor que podia fazer? Porque tem gente que INVESTE tempo DECORANDO o
PROTOCOLO e tem gente que INVESTE tempo FAZENDO o que PRECISA ser feito — e só
um desses dois tipos de investimento RETORNA quando a conta fecha de verdade.
Um sabe descrever o que fez. O outro só fez. CONHECER a REGRA não é a mesma coisa
que CUMPRIR o que IMPORTA — e a vida, ao que parece, retorna mais as ações do
que às repetições de conceitos.

















































