LEITURAS SOBRE COMPORTAMENTO E AÇÃO: Episódio #01 - A conexão entre o comportamento investido e o retorno obtido


 O que realmente é investir na vida e como chega o retorno por esse comportamento?

A gente cresce ouvindo que os 'melhores comportamentos' – aquelas pessoas que são grandes de verdade - são aquelas que agem de forma socialmente claras e definidas como tal. Ou seja, investimento bom é aquele que você sabe nomear certinho — cursou a faculdade certa, fez o networking certo, seguiu o passo a passo, decorou o discurso, apresentou o diploma na hora exata, disse a palavra que os outros esperavam ouvir... enfim.

E no dia a dia isso se repete o tempo todo: no trabalho, é quem sabe apresentar o relatório bonito; na família, é quem sabe dizer a frase certa na hora certa; na saúde, é quem posta a rotina de treino; nos estudos, é quem tira nota alta sem necessariamente reter nada; nas redes, é quem sabe narrar bem o próprio esforço.

Imagina uma banca de avaliação, dessas de resultado no papel, com gente respeitada socialmente, de currículo robusto sentada esperando a nota — cada um carregando o comprovante formal do que aprendeu, do que sentiu, de como se expressou, do que seguiu, do que cumpriu direitinho. E do lado, alguém que nunca conseguiu nem terminar de estudar o "conteúdo oficial", que se atrapalha até pra explicar bem as ações e comportamentos que empreendeu, apenas fez! Ou seja, alguém que não sabe explicar, repetir e até mesmo compreender a doutrina ou filosofia do jeito socialmente esperado. Será que essa mesma pessoa, na prática, foi quem mais absorveu e mais devolveu o que aprendeu da vida? Agora vamos imaginar se a banca não pergunta qual a resposta mais adequada socialmente, mas sim, quais os comportamentos e ações empreendidas durante a vida e julga quais delas têm maior alinhamento com os conteúdos. Aproveitando a analogia do investimento x retorno: "o que sobrou de você depois de gasto".

É tipo aquele aluno que não tira a nota mais alta da prova — às vezes nem sabe explicar a matéria do jeito acadêmico — mas é o único que, um ano depois, ainda usa o que aprendeu pra resolver problema de verdade, enquanto o que tirou dez já esqueceu tudo assim que saiu da sala. O exame que dá mais bônus não é o que tem mais gabarito certo. É o exame de quem mais evoluiu com o que teve.

Ora, cabe aqui então uma reflexão: será que a ignorância do que é socialmente esperado — o roteiro, a etiqueta, o "jeito certo de fazer" — chega a ser, de fato, motivo suficiente pra alguém não ter feito o melhor que podia fazer? Porque tem gente que INVESTE tempo DECORANDO o PROTOCOLO e tem gente que INVESTE tempo FAZENDO o que PRECISA ser feito — e só um desses dois tipos de investimento RETORNA quando a conta fecha de verdade. Um sabe descrever o que fez. O outro só fez. CONHECER a REGRA não é a mesma coisa que CUMPRIR o que IMPORTA — e a vida, ao que parece, retorna mais as ações do que às repetições de conceitos.

Se hoje alguém pesasse o que você investiu de verdade — não o que você sabe explicar, mas o que você fez — quanto sobraria?

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