Afinal, a gente cresce aprendendo a fazer as contas certinho
— cumprir os horários, nunca faltar, ser pontual, mesmo naquele bagaço, pagar
as contas em dia, aguentar sem reclamar, mesmo quando estava certo, ficar
quando podia ter ido embora e até mesmo, não decepcionar ninguém... enfim.
Imagina um mentor, dessas salas de aula que também existem
fora da escola — no trabalho, em casa, entre amigos —, observando dois alunos
ao mesmo tempo: um que entrega sempre a resposta "ETIQUETÁVEL" como
certa, a postura que todo mundo reconhece de cara como acerto, o gesto seguro
que nunca derrapa — mesmo que, por trás disso, não tenha havido risco nenhum,
nem esforço real, só o caminho já mastigado sendo repetido sem tropeço; e outro
que erra na frente da turma inteira, testa hipótese errada, se atrapalha na
explicação, volta pro banco encabulado — mas que, no fim do semestre, entende a
matéria de um jeito que o primeiro nunca vai entender, porque só quem tropeça
de verdade descobre onde o chão é mais fraco. Quem deve o mestre receber com
carinho, acolher e "mentorar" com maior cuidado e afinco?
É meio como aquele funcionário que larga tudo, some da
empresa por um tempo, decide voltar sem nada garantido — e o chefe recebe de
braços abertos, comemora o retorno na frente de todo mundo. Enquanto isso, quem
nunca faltou um dia, nunca tirou férias, segurou a empresa inteira nas costas
sozinho, vê a festa e pensa: "eu tô aqui há anos, cumprindo, e nunca
ganhei nem um elogio desse tamanho". Quem "mereceu" mais, nesse
caso? O que nunca errou, ou o que errou e se perdeu tentando achar o caminho e
voltou?
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