LEITURAS SOBRE COMPORTAMENTO E AÇÃO: Episódio #03 - O Erro como fonte de vergonha e incapacidade no mundo de likes


 O que pesa mais na hora de alguém ser bem-sucedido na vida: os acertos e realizações aparentes que nos documentam como seres infalíveis, ou os erros, insucessos e arrependimentos que nos tornam humanos, aprendizes, e que nos fazem retornar pra tentar de novo?

Afinal, a gente cresce aprendendo a fazer as contas certinho — cumprir os horários, nunca faltar, ser pontual, mesmo naquele bagaço, pagar as contas em dia, aguentar sem reclamar, mesmo quando estava certo, ficar quando podia ter ido embora e até mesmo, não decepcionar ninguém... enfim.

Imagina um mentor, dessas salas de aula que também existem fora da escola — no trabalho, em casa, entre amigos —, observando dois alunos ao mesmo tempo: um que entrega sempre a resposta "ETIQUETÁVEL" como certa, a postura que todo mundo reconhece de cara como acerto, o gesto seguro que nunca derrapa — mesmo que, por trás disso, não tenha havido risco nenhum, nem esforço real, só o caminho já mastigado sendo repetido sem tropeço; e outro que erra na frente da turma inteira, testa hipótese errada, se atrapalha na explicação, volta pro banco encabulado — mas que, no fim do semestre, entende a matéria de um jeito que o primeiro nunca vai entender, porque só quem tropeça de verdade descobre onde o chão é mais fraco. Quem deve o mestre receber com carinho, acolher e "mentorar" com maior cuidado e afinco?

É meio como aquele funcionário que larga tudo, some da empresa por um tempo, decide voltar sem nada garantido — e o chefe recebe de braços abertos, comemora o retorno na frente de todo mundo. Enquanto isso, quem nunca faltou um dia, nunca tirou férias, segurou a empresa inteira nas costas sozinho, vê a festa e pensa: "eu tô aqui há anos, cumprindo, e nunca ganhei nem um elogio desse tamanho". Quem "mereceu" mais, nesse caso? O que nunca errou, ou o que errou e se perdeu tentando achar o caminho e voltou?

Ora, cabe aqui então uma reflexão: será que a gente mede o valor de alguém pela ficha de erros e acertos que essa pessoa acumulou, ou pelo fato de ainda estar disposta a voltar, a tentar de novo, a se colocar ali mesmo sem garantia nenhuma de recompensa? Porque tem gente que passa a vida inteira ACERTANDO SEM ARRISCAR — fazendo tudo do jeito que já sabe que dá certo, repetindo a fórmula segura, colecionando elogio por nunca ter errado — e tem gente que passa a vida ERRANDO DE VERDADE, tentando, se perdendo, voltando com mais chão debaixo do pé do que tinha antes. E o problema é que, de longe, os dois parecem estar disputando o mesmo pódio — só que não estão. Uma cobra reconhecimento porque nunca arriscou nada; a outra é recebida com carinho porque teve CORAGEM de tentar e HUMILDADE de voltar — e essas duas coisas juntas pesam mais do que qualquer ficha de acerto. CERTO nem sempre é a única forma de CERTO. ERRAR não cancela o mérito. NÃO TENTAR, esse sim, cancela.

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